De bike pela vida

Com Beatriz Frias

Esportista Beatriz Frias fala sobre paixão por bicicleta e passeio ciclístico que organiza na cidade

Uma apaixonada pelo esporte. É assim que a piracicabana Beatriz Frias, 27, se define. Essa paixão à prática esportiva fica evidente quando ela fala sobre o assunto, porque o sorriso não sai da face, principalmente quando o foco é o ciclismo. O amor ao desporto é tão grande, que o levou para a vida profissional. Trabalha com comunicação e projetos voltados a esta área. Administradora de empresas formada pela Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), é pós-graduada em gestão de negócios pela Fundação Dom Cabral, com extensão em inovação e empreendedorismo pela University of Cambridge Judge Business School (Inglaterra) e, ainda, extensão em jornalismo esportivo pela Faculdade Rio Branco. É, também, articulista da Revista Arraso e faz questão de deixar um tempo reservado na agenda para pedalar, pelo menos, duas vezes por semana. Em entrevista à Arraso semanal, falou sobre como teve a vida transformada pelo esporte e quão essenciais são atividades que incentivem as pessoas a se manterem em movimento, como o Passeio Ciclístico Frias Neto Pedala pelo Clima, o qual é uma das organizadoras. O evento está na segunda edição neste ano e acontecerá no dia 14 de agosto, com apoio do Jornal de Piracicaba e da Revista Arraso.

 

Desde quando a prática esportiva faz parte da sua vida?

Desde criança. Na infância pratiquei diversos tipos de esporte, como natação, tênis, basquete. Fiz aulas de balé também. Sempre fui uma pessoa ativa. Ia caminhar, à academia. Sempre gostei muito de estar em movimento. Eu acho que a questão da vida saudável na alimentação foi quando eu tinha 11 anos de idade. Eu era uma criança relativamente gordinha e uma tia minha me convidou para participar de um programa de reeducação alimentar e aí eu comecei a aprender a comer direito, saber melhor dos grupos alimentares, o que podia comer mais e menos e isso entrou na minha rotina. Anotava tudo certinho e comecei a gostar de viver este hábito saudável, sem dietas chatas. Eu gostava de comer tudo o que comia, gostava de fazer exercícios, o que acho que é o primeiro passo para conseguir levar isso a longo prazo.

Quais esportes você pratica atualmente?

Corro um pouco, faço musculação, pilates e ciclismo, que é meu preferido.

Como iniciou no ciclismo?

Meu pai me ensinou a pedalar na infância, mas passei a gostar mais treinar com bike de dois anos para cá e, desde então, virou um vício para mim. Pratico de duas a três vezes por semana. O difícil é que a bike toma um pouco de tempo, mas toda semana tenho de estar com bicicleta. Geralmente, pedalo de manhã. Na estrada, vou com o pessoal para Limeira ou Capivari. Agora, um lugar mais gostoso é no alto da serra de São Pedro. Lá é um delícia.

Quais mudanças o esporte proporcionou em sua vida?

Além de um exercício físico, proporciona interagir com pessoas que estão neste meio do esporte. Isso é muito bacana. Outro ponto é a motivação. A gente sempre quer pedalar em um lugar novo, melhorar o tempo. Sempre tem algo a nos motivar para melhorar. E, claro, o prazer de pedalar, a sensação de liberdade que a bike dá.

Você é uma das organizadoras do Passeio Ciclístico Frias Neto Pedala pelo Clima. Como surgiu a ideia de criar este evento, que este ano chega a segunda edição?

Foi para tentar trazer para a cidade a cultura da bicicleta. Lá fora já existe isso. Na Europa, Estados Unidos é nítido isso. A intenção é plantarmos uma sementinha aqui, para o pessoal entender e, também, levar mais gente para a bicicleta. O ciclista tem de ter o respeito e o motorista também. Ambas as partes precisam de conscientizar mais nisso. Integrar todo o pessoal. É uma atividade que dá para a família participar, de crianças a idosos. E por ser um evento no Dia dos pais (14/08), dá para o pai levar o filho, o que é bem bacana, principalmente por ser uma atividade ao ar livre. E também tem a questão do clima. Uma bicicleta é um carro a menos na rua. Estamos em um momento em que precisamos encontrar formas de sermos sustentáveis no planeta. Esta é uma forma. Além da bike ser sustentabilidade e mobilidade, é esporte, saúde, prazer e lazer. O passeio é um incentivo para o esporte e a vida saudável.

Com quais modalidades do ciclismo já teve contato? Qual mais gosta?

Ciclismo de estrada e mountain bike, que é para terra. Eu acho mountain bike muito legal, mas para mim é um pouco mais difícil, porque exige um pouco mais de técnica e isso demora um pouco para aprimorar. Não é só treino e resistência.

Qual foi a experiência mais inesquecível que o ciclismo já te proporcionou?

Até então não posso dizer nada pontual, um dia específico. Acho que é o fato de conseguirmos conhecer lugares novos com a bike. É o ápice isso. Fazer uma viagem e conhecer o local de bike, ter a sensação de falar que conseguiu ir até algum lugar difícil com bike. Descobrimos o mundo e o olhamos com outros olhos. Algumas situações diferentes que o ciclismo me proporcionou foram quando eu estava trabalhando, não pedalando, mas nos bastidores de uma prova, como a Brasil Ride, que é uma ultramaratona de mountain bike que acontece na Bahia, ou o Tour do Rio, que é uma das principais provas de ciclismo de estrada do Brasil, no estado do Rio de Janeiro. Não participei pelo lazer, mas pelo trabalho e foi muito bacana. Aprendi bastante. Vi superações pessoais.

Neste ano, o Brasil sedia a Olimpíada. O ciclismo, inclusive, é um jogo olímpico e paralímpico. Qual a sua avaliação da organização do evento no país?

Parte de organização ainda é difícil falar, porque está começando, mas estou achando muito boa. Podem ter pecado um pouco na estrutura, nem vou entrar neste quesito, mas a organização parece ter recrutado bons profissionais para trabalhar. Inclusive, tocando neste assunto, eu tenho um evento lá dia 16 de agosto. Fui convidada pela Shimano, marca de peças de bicicleta, para fazer um bate-papo sobre ciclismo feminino no lounge da empresa. Talvez, a Raiza Goulão participe.

E como está o ciclismo feminino?

Está crescendo. Não é igual ao dos homens, acho que pelo fato de ser um pouco mais difícil para as mulheres, porque desgasta um pouco, ainda mais mountain bike, é preciso muita garra, Mas está mudando. Vêm aumentando as adeptas de bicicleta e vemos que a maioria não está perdendo a feminilidade. Antes, víamos ciclistas brutonas, mas estão conquistando seu espaço do jeito delas.

Como você observa o trato do poder público com os esportes no Brasil?

Acho que tem muito a melhorar. Falta muito incentivo. Falando em bicicleta especificamente, estamos muito atrás dos europeus, por exemplo. O Henrique Avancini é um atleta do mountain bike. Ele e o Rubinho Valeriano vão para a Olimpíada. O Henrique está disparado na frente de todos os outros brasileiros, o nível dele é nitidamente muito maior, mas ao mesmo tempo acho que não tem nem chance de chegar ao pódio se comparado com o nível da mountain bike lá fora. que ouço o pessoal falar é que falta incentivo, educação, para começar. Não sei o que poderia ser feito, mas acho que teríamos de rever isso para incentivar mais.

Além do esporte, utiliza a bicicleta como meio de transporte na cidade?

Pouco. Gostaria muito de utilizar mais, mas ainda tenho medo. A gente precisa tentar mudar esta cultura e também precisamos de infraestrutura para isso.

Qual a sua avaliação das ciclofaixas e ciclovias de Piracicaba?

Tem de rever muito.

Quais suas dicas para quem deseja iniciar no ciclismo?

Pegue uma bike, um capacete e seja feliz. Procurar um grupo de iniciantes, principalmente para quem quer começar, é bacana. Hoje em dia, temos vários grupos de vários níveis na cidade.

 

Entrevista publicada originalmente dia 07/08/16, na coluna Persona da Arraso (Jornal de Piracicaba).

2 comentários em “De bike pela vida

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