Viver, só se for de verdade!

Beatriz Frias

“A vida é muito curta para ser vivida de mentira”.

Digo ‘de mentira’ para retratar o oposto do verdadeiro. Mas o que seria, então, o ‘de verdade’?

Para mim, tudo que é ‘de verdade’ remete sempre algo da simplicidade, algo do puro, algo que vem do sentimento, do coração. Mas, o ‘de verdade’ também me remete algo de natural. Foge do artificial, tampouco necessita de fingimentos.

O tema discutido, apesar de um pouco polêmico, me veio à tona, pois, com o passar dos anos, comecei a me dar conta de quantas vidas são vividas ‘de mentira’. Camufladas, silenciadas, aceitadas, resignadas.

Em uma sociedade pautada na lei do status e da aparência, o natural e o verdadeiro não têm vez, nem sequer uma chance. Seja por comodidade, seja simplesmente pelo medo de se entregar e ser quem realmente é.

Mas, ainda assim, eu acredito no ‘de verdade’, na honestidade, mesmo que seja só por uma das partes; no respeito, mesmo que sem a mesma intensidade; na amizade, mesmo que contadas nos dedos; no amor, mesmo que não seja eterno.

Acredito que a boa intenção seja não somente boa para o outro que a recebe, mas sim para nós mesmos. Agir em sintonia com o que nossa intuição nos diz só nos torna um pouco mais dignos de nossa própria história.

Voltando um pouco na conceituação, o ‘de verdade’ me remete também algo em que realmente acredito, ou seja, possui forte ligação com os reais motivos pelos quais me fazem acordar todos os dias e viver, viver ‘de verdade’!

Como diria Abilio Diniz “Faça sempre aquilo que você acredita” ou até mesmo “Seja fiel àquilo que você é”.

Quantas vezes não nos deparamos com pessoas que estão fingindo uma vida que não têm? Quantas situações não são forçadas para, simplesmente, manter uma aparência? E quantas outras não são evitadas para, simplesmente, agir de acordo com o protocolo?

Eis aqui algo que o ‘de verdade’ não me remete, o agir corretamente. Quando agimos ‘de verdade’ não estamos, necessariamente, agindo da maneira ‘mais correta’ – até mesmo porque não estamos discutindo certo e errado – podemos dizer que estamos agindo da maneira que faz sentido para nós mesmo, mesmo que esse sentido venha do seu ‘eu’ mais íntimo e não se tenha muitas palavras para explicá-lo.

Hoje, posso seguramente afirmar que, com o tempo, nos damos conta de que nada foi em vão. Todos os esforços são, em algum momento, recompensados e todas as atitudes ‘de verdade’, em algum momento farão a diferença. Pode não ser hoje, nem amanhã. Mas, tudo que plantamos, em algum momento, nós colhemos. Tudo que vai, volta. É a energia da vida. Como dizia o Poeta Vinícius de Moraes: “A vida só se dá pra quem se deu…”

 

Artigo publicado originalmente na Revista ARRASO | Noivas  * edição n.61 *

 

3 comentários em “Viver, só se for de verdade!

  1. bacana, gostaria muito de viver de verdade, ser eu sem ter que ficar agradando os outros, ficar agarrado aos costumes e comodismo social…

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