Pronto, eu casei! E agora?

Beatriz Frias

E, de repente, você encontra sua cara metade, mil planos, casamento. Poxa, e com isso então: casa para morar, mudanças, filhos, viagem, netos… E um final feliz! Será mesmo isso? Que bom que não, e nem precisa ser.

Hoje em dia, tudo é tão pré-determinado e moldado pela sociedade do casamento perfeito, com par perfeito, emprego ideal, casa na praia, dinheiro no bolso. Imagina só, que ótimo? Pois é, eu iria achar, no mínimo, tedioso.

A felicidade do acaso é deixada de lado, para dar lugar ao socialmente correto. Pessoas casadas devem ser ‘assim’ ou ‘assado’, ter filhos depois de um determinado número de meses, blá, blá, blá. Mas, e se talvez fosse tudo invertido e sem sentido? Ora! Como se o amor tivesse algum sentido ou razão. E a felicidade, ficaria aonde então? Nas posses, nas coisas, no cronograma a ser seguido?

É engraçado como nós somos criados para que passemos pelas etapas ‘corretas’. Por exemplo, nós, quando bebês e crianças, somos obrigados a fazer tudo de acordo com o que nossos pais acham melhor. Crescemos, frequentamos a escolinha, ginásio, colegial, cursinho ou direto para a faculdade… Opa! Nesta fase, já se iniciam alguns questionamentos, ou até mesmo conflitos de decisão.

Até que chega o momento do casamento ou, muitas vezes, pode nem ser o momento, mas ele ‘tem que’ acontecer, para então, continuarmos seguindo nosso cronograma. E, de preferência, com alguém que esteja alinhado aos pré-requisitos básicos, como uma posição boa no emprego, estabilidade e, sem nos esquecermos, do (muito) dinheiro, claro!

Mas, antes de continuar, acho importante pontuar aqui uma das definições que encontrei da palavra ‘casamento’, que, de acordo com o dicionário Aurélio, é: “União legal de um homem e de uma mulher. / Celebração de núpcias / Um dos sete sacramentos da Igreja Católica. // Casamento religioso, casamento celebrado na presença de um padre.”

Lembrando-se de que também, segundo a religião, devemos nos casar para procriarmos. E acredito que aqui já entramos num impasse, uma vez que, muitos casais ficam juntos e não querem filhos ou até mesmo completamente o contrário, pois muitas mulheres criam seus filhos sem terem sequer a ajuda do parceiro, não é mesmo?

Por isso, acho que devemos repensar o sentido disso tudo e nos perguntarmos qual seria mesmo o motivo? O que eu acho realmente importante? Para mim, honestidade e respeito em primeiro lugar. Podem passar décadas e décadas, mas os valores não mudam.

Mas, assim como o mundo está mudando cada vez mais, isto também acaba, consequentemente, alterando a relação entre as pessoas. Visto que, antes havia uma enorme hierarquia entre nós e os padres, professores, pais, maridos. Hoje, neste ambiente muito mais horizontalizado e compartilhado, é nítida, cada vez mais, a colaboração, a parceria, seja ela de curto ou longo prazo.

Com isso, vejo também a importância deste tipo de colaboração e parceria na hora de nos relacionarmos uns com os outros e na maneira como conduzimos nossas amizades, namoros, casamentos. Pois, precisamos, cada vez mais, uns dos outros de uma forma positiva. Para que assim, possamos nos unir e potencializar nossas forças e desejos, sejam eles quais forem.

Acredito que a essa altura do campeonato, o conto de fadas já esteja um pouco ultrapassado e, além de tudo, já conhecemos o ‘happy ending’. Agora, caro leitor, eu te pergunto: qual a história que você quer viver?

 

Artigo publicado originalmente na Revista ARRASO | Noivas (do Jornal de Piracicaba) * edição n.42 *

6 comentários em “Pronto, eu casei! E agora?

  1. Nossa, Bê..é exatamente isso! Pablo e eu estamos naquela fase de respondermos sobre filhos. Algumas pessoas olham impressionadas que ainda não temos e estamos adiando. E, não aceitam que somos felizes fazendo nossas coisas. É f*&ˆ%, amiga. Belo texto.

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